quarta-feira, 31 de agosto de 2016

"O Golpe dentro do Golpe dentro do Golpe" e Duna, de Frank Herbert




“Planos, dentro de planos, dentro de planos”, pensava Jessica.
“Teremos nos tornado parte do plano de alguém, agora?”


Duna, de Frank Herbert


Hoje depois de quase 8 meses enfim se consumou o impeachment da Dilma Rousseff. Mas o mais surpreendente foi que uma manobra permitiu que, apesar da maioria dos senadores votarem para que Dilma não pudesse ocupar cargos públicos por oito anos, que ela mantivesse seus direitos políticos. Segundo senadores do PT, era preciso clemência do Senado, para que Dilma pudesse dar aulas em universidades. Assim poderia complementar "sua aposentadoria de apenas 5 mil reais", como lembrou Katia Abreu. Obviamente não passou pela cabeça dos senadores que, de quebra,
Dilma agora também poderá ser nomeada para algum cargo com direito a foro privilegiado, escapando de ser julgada por Sérgio Moro pelas denúncias em que é citada na Lavajato. Quem sabe Fernando Pimentel não se interessa? Ele precisa de uma nova secretária de governo, já que não conseguiu nomear sua própria esposa,

Apesar da Constituição Federal dizer "perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública", parte dos senadores e o presidente do STF, Lewandowski, decidiram inovar, concluindo que uma lei anterior à CF de 1988 se sobrepõe ao que está escrito na constituição.

A mudança só foi possível graças aos votos de Renan Calheiros, Jader Barbalho, Edson Lobão, Eunício Oliveira, todos citados na Lavajato, além de outros senadores do Maranhão ligados a José Sarney, esse também citado na Lava jato. Citado também na Lavajato, mas não do PMDB, tivemos a participação especial de Randolfe Rodrigues.

Todos esses nomes do PMDB também estão nas famosas gravações de Sérgio Machado. Só faltou Romero Jucá. O que me lembra uma frase de Sérgio durante o diálogo que Romero Jucá afirma que é preciso "estancar a sangria causada pela Lavajato". Como era mesmo? Deixe-me ver, ah, aqui está: "Eu acho o seguinte, a saída [para Dilma] é ou licença ou renúncia. A licença é mais suave. O Michel forma um governo de união nacional, faz um grande acordo, protege o Lula, protege todo mundo".

Mas porque essa história me lembra o livro Duna, um dos maiores clássicos da ficção científica, o mais vendido deles? Duna é a história de um grupo de planetas que lutam pelo poder. É recheado de traições, movimentos políticos e religiosos, doutrinas secretas, conspirações, "planos dentro de planos dentro de planos".

Mais uma vez a história do Brasil se aproxima dos maiores clássicos da ficção. Tínhamos um plano para o impeachment, que foi seguido a risca. Mas havia um outro plano em que todos seguiram seus papéis, sem improvisações. Graças a isso, Dilma manteve seus direitos políticos. O PSDB e o DEM reclamaram, mas algumas horas depois desistiram de entrar no STF contra a decisão. A dúvida é se essa desistência seria o terceiro plano dentro dos dois outros planos.

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