A coletiva de apresentação da denúncia do Ministério Público de 14/09/2016 no "Caso Triplex" gerou vários "memes", que alguns sites da auto intitulada "mídia progressista" reproduziram como se fosse a verdade. Um desses "memes" é a frase “Não temos como provar, mas temos convicção” ou ainda “a ausência de prova é a prova do crime”. Na verdade essas frases não foram ditas na denúncia, como veremos a seguir.
As provas (veja aqui e aqui) apresentadas durante a coletiva foram convenientemente ignoradas pelos sites da "mídia progressista": eles preferiram se concentrar nos "memes" e no "PowerPoint do Dallagnol", ao invés de discutir coisas mais complicadas e chatas como o documento rasurado de compra do tríplex.
Na verdade, durante a denúncia, Dallagnol afirmou:
"Provas são pedaços da realidade, que geram convicção sobre um determinado fato ou hipótese. Todas essas informações e todas essas provas analisadas como num quebra-cabeça permitem formar seguramente, formar seguramente a figura de Lula no comando do esquema criminoso identificado na Lava Jato. Todas essas provas levam a crer, pra cima (sic) de qualquer dúvida razoável, para além de qualquer dúvida razoável que Lula era o grande maestro dessa grande orquestra concatenada para saquear os cofres da Petrobras e de outros órgãos públicos".
Veja a seguir esse trecho da fala de Dallagnol :
Na verdade, durante a denúncia Pozzobon, afirmou:
"Precisamos dizer desde já que em se tratando de lavagem de dinheiro, ou seja, em se tratando de uma tentativa de se manter a aparência de licitude não teremos aqui provas cabais de que Lula é efetivo proprietário no papel do apartamento, pois justamente o fato de ele não figurar como proprietário do tríplex, da cobertura em Guarujá, é uma forma de ocultação, de simulação da verdadeira propriedade. Da mesma forma, na personalização, nos contratos com as empresas que forneceram os móveis ou executaram as reformas, não são contratos onde Lula e sua família figurem ostensivamente, mas sim por intermédio da construtora OAS".
Veja a seguir esse trecho da fala de Pozzobon:
A mídia tradicional, de forma geral, fez várias reportagens mostrando que esses "memes" nunca foram ditos. Veja uma excelente reportagem aqui.
Mas quais sites reproduziram esses "memes" como se eles fossem verdade? Foram muitos, entre eles os sites "Pragmatismo Político", "DCM" e "247".
O site do "Pragmatismo Político", em uma matéria, veja aqui, intitulada "Denúncia contra lula: Não temos como provar. Mas temos convicção", afirmou "Foi quando o procurador Roberson Henrique Pozzobom afirmou: 'Não temos como provar, mas temos convicção'".
Interessante que o próprio site traz um vídeo que mostra que a frase na verdade não foi essa, veja o primeiro vídeo que acompanha a própria matéria. Se ele não estiver mais disponível, veja aqui:
Outro site a repercutir o "meme" foi o DCM, em matéria, veja aqui, intitulada "'Não temos provas, mas convicção': o powerpoint de Dallagnol nos jogou de vez no Paraguai".
Contudo, a matéria foi editada (não está claro quando) para corrigir a informação, indicando a frase real:
"Este artigo foi atualizado. A frase do procurador Deltan Dallagnol, dita à GloboNews, é: “Provas são pedaços da realidade que geram convicção sobre um determinado fato ou hipótese”. Ou seja, continua enrolando."
A correção não mencionou o trecho mais incisivo da fala: "Todas essas provas levam a crer, pra cima (sic) de qualquer dúvida razoável, para além de qualquer dúvida razoável.
O site 247, por sua vez, veja aqui, em matéria intitulada "Não tenho provas, mas tenho convicção", também seguiu a mesma linha.
Vale ainda a pena citar que o site "Sensacionalista", veja aqui, em matéria intitulada "15 coisas que não podemos provar, mas temos convicção" também caiu na esparrela e brincou com a suposta frase, contribuindo para a desinformação.
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