Da série "o Jornalismo à base de memes".
Um exemplo revoltante de "Fake News", reproduzido pela autodenominada "mídia progressista", tem como base uma suposta frase dita por Rosa Weber durante seu voto de condenação de Dirceu no processo do Mensalão (AP 470).
Para quem acompanhou o julgamento, fica claro a emoção e tristeza de Rosa por ter que condenar uma pessoa como José Genoino, cuja trajetória ela admira. Mas as provas não permitiam outra conclusão.
Segundo sites como "Cafezinho", "Brasil 247", "DCM" e similares, Rosa durante a condenação teria dito literalmente "não há provas [cabais] de sua culpa, mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite". Alguns dos sites inclusive omitem a palavra "cabais". A literatura jurídica citada por Rosa seria a teoria do "Domínio do Fato".
Trata-se de mais uma "Fake News".
Durante muito tempo acreditei que a "Fake News" se limitasse à omissão da palavra "cabais" e da associação indevida do voto com a teoria do "Domínio do Fato", quando na verdade o voto de Rosa simplesmente mencionava a teoria da "dúvida razoável", amplamente aceita no mundo jurídico.
Mas é pior: Rosa não disse, durante a condenação de Dirceu, nenhuma frase remotamente parecida com a reproduzida pelos sites mencionados.
Com dificuldades, após uma análise cuidadosa da fala de Rosa, acredito ser possível identificar que a frase é uma paráfrase mal feita, veja aqui, de um longo trecho do discurso de Rosa. Mal feita, pois não contempla a realidade do que foi dito. Pior ainda, apresentada como se fosse uma citação, com o provável intuito de ridicularizar o que realmente foi dito por Rosa, além de associar seu voto à teoria do "domínio do fato", a qual se procurou desqualificar durante o julgamento de Dirceu.
Com dificuldades, após uma análise cuidadosa da fala de Rosa, acredito ser possível identificar que a frase é uma paráfrase mal feita, veja aqui, de um longo trecho do discurso de Rosa. Mal feita, pois não contempla a realidade do que foi dito. Pior ainda, apresentada como se fosse uma citação, com o provável intuito de ridicularizar o que realmente foi dito por Rosa, além de associar seu voto à teoria do "domínio do fato", a qual se procurou desqualificar durante o julgamento de Dirceu.
Para comprovar veja abaixo a íntegra do voto de Rosa Weber pela condenação, entre outros, de Delúbio, Dirceu e Genoíno. Perceba a emoção de Rosa durante o voto pela condenação de Genoino.
A parte específica de condenação de Delúbio, Dirceu e Genoíno está na Parte 2, a partir de 14 min e 38 seg.
Interessante também a parte em que Rosa discorre sobre o fato de Jefferson ter confirmado em juízo (início: Parte 1 - 16 min ) suas declarações sobre o Mensalão ("Reitero. Confirmo. Ratifico todas as informações que dei no passado") ao contrário do que alega Lewandowski em seu voto.
A parte específica de condenação de Delúbio, Dirceu e Genoíno está na Parte 2, a partir de 14 min e 38 seg.
Interessante também a parte em que Rosa discorre sobre o fato de Jefferson ter confirmado em juízo (início: Parte 1 - 16 min ) suas declarações sobre o Mensalão ("Reitero. Confirmo. Ratifico todas as informações que dei no passado") ao contrário do que alega Lewandowski em seu voto.
Parte 1:
Parte 2:
É interessante destacar que, aparentemente, a atribuição da suposta frase a Rosa (ver a seguir) não se deu logo após seu voto, mas apenas no mês seguinte.
Por volta de dois anos mais tarde, os mesmos sites que em 2012 haviam comentado o voto de Rosa sem mencionar tal frase passaram a citá-la, como se ela fosse verdadeira.
Por volta de dois anos mais tarde, os mesmos sites que em 2012 haviam comentado o voto de Rosa sem mencionar tal frase passaram a citá-la, como se ela fosse verdadeira.
Mas qual foi o exatamente o processo pelo qual essa "Fake News" surgiu e foi propagada? Para entender, veja aqui.
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