Para descontrair, vamos misturar política e diversão...
Quem não tem filhos talvez não tenha assistido o desenho “Meu
Malvado Favorito”. Então assista, é diversão certa, veja a seguir o início do
filme.
E o que esse desenho tem a ver com política? A relação é
esclarecida pelo saboroso comentário de Roberto Jefferson em sua entrevista ao
programa Roda Viva de 11/04/2016 ao
ser questionado sobre a legitimidade de um processo de impeachment liderado por Cunha. Jefferson diz textualmente:
“É um adversário a altura do presidente Lula. Porque ele joga o jogo que ter que ser jogado. O Lula joga qualquer jogo. Esse grupo de poder do PT joga qualquer jogo. Então eu digo que o Eduardo é meu bandido predileto porque ele é o desafeto a altura desse grupo de poder do PT. É um grupo que pratica crime, crime fiscal, de obstrução da justiça, de tentativa de suborno de testemunhas ... e o Eduardo joga igualzinho, ele é um pistoleiro, saca como Lula, saca rápido, atira pela costas, atira de tocaia, com dossiê, faz igualzinho, trapaceia no jogo de pôquer e, se bobear, como a turma do PT faz, assalta o banco da cidade. Eu fiz essa comparação porque sei que o Eduardo é imprescindível nesse papel que faz hoje. Eu não vejo por exemplo o Fernando Henrique enfrentando o Lula, não dá! É outro nível de pessoa, ele não saberia jogar esse tipo de jogo. [É briga de bandido contra bandido]. Sim, é. É briga de foice no escuro, vale tudo, puxão de cabelo, dedo no olho, pontapé no traseiro, vale tudo nessa briga. E o Eduardo sabe jogar esse jogo, e joga bem!”.
Veja o trecho aqui:
Ao assistir a entrevista, me veio a lembrança também um jogo delicioso, que recomendo a todos, e que ultimamente tenho usado para ilustrar a situação política do Brasil de hoje. Ele se chama Bang!:
É um jogo baratinho de cartas. Jogam de 4 a 7 jogadores, quanto mais melhor. Cada jogador assume um papel: xerife, ajudante de xerife, renegado ou fora-da-lei. O objetivo do xerife e seus ajudantes é matar os foras-da-lei e o renegado. O objetivo dos foras-da-lei é matar o xerife. Já o renegado precisa matar todos os foras-da-lei e o xerife, mas o xerife deve ser o último a morrer.
Todos sabem quem é o xerife, mas ninguém sabe os papéis um
dos outros. Assim, ninguém sabe ao certo quem é bandido, quem é mocinho. Você
precisa julgar pela atuação de cada um. Precisa prestar atenção no que cada um
faz, para descobrir o papel de cada um.
O jogo não é equilibrado, há mais bandidos que mocinhos e os
foras-da-lei sabem muito bem o que fazer, basta matarem o xerife. O renegado,
por sua vez, precisa se passar por mocinho para evitar que o xerife morra antes
dos outros foras-da-lei. Até o momento em que acha que é a hora certa para
mostrar a verdadeira face. Já o xerife fica sempre na dúvida se quem o está
ajudando é um mocinho mesmo ou apenas o renegado.
Cunha, é o nosso renegado favorito... Agora que não tem mais
chance de vencer o jogo, qual será o seu papel?


Eu achei muito interessante seu post e a forma como compara o desenho e o jogo ao jogo de poder, mas acredito que tenho um pensamento e visão de mundo e da vida bastante distinto desse, uma vez que acredito que se já partirmos de jogos sujos para tentar limpar qualquer coisa estaremos apenas trocando as cartas do jogo por outras de valor igual ou semelhante. Apenas questão de tempo.
ResponderExcluirOs meios não devem justificar os fins, ou tudo será sempre maculado e sempre teremos justificativas para legitimar nossos atos excusos.
A mudança, para mim, tem que partir de dentro, do indivíduo, de cada um, da liberação individual da confusão e busca incessante... se não pudermos mudar o mundo por meios honestos e bons, que não o façamos.
Não precisamos de mais karma negativo no mundo, mas precisamos ser os exemplos das possibilidades e da felicidade real que existe em uma conduta honesta, bem intencionada, com boa motivação e ações positivas.
A história está aí para nos mostrar que só mudam os nomes, as figuras, as roupas... enquanto não mudamos de verdade os olhos e o coração. Abraços!
Cara Luci, claro que concordo que os fins não justificam os meios. É um argumento muito perigoso e os políticos a utilizam frequentemente para justificar ações que são em seu próprio benefício, mas que eles atribuem a um bem maior. O post era despretensioso, mais preocupado em juntar coisas divertidas com um assunto sério. Para discutir a questão dos meios e fins, escrevi então um outro post: http://nem8nem80politica.blogspot.com.br/2016/05/os-fins-justificam-os-meios.html.
ExcluirAchei divertida a comparação, mas veja, se não me sinto inclinada a concordar com o que você coloca, gostaria de apenas compartilhar que acredito representar meu entendimento das coisas essa frase do Paulo Freire que li dia desses:
ResponderExcluir"Se, na verdade, não estou no mundo para simplesmente a ele me adaptar, mas para transformá-lo; se não é possível mudá-lo sem um certo sonho ou projeto de mundo, devo usar toda possibilidade que tenha para não apenas falar de minha utopia, mas participar de práticas com ela coerentes."
Paulo Freire - Pedagogia da indignação.
Que pena que nossos políticos não escutem Paulo Freire: "Enquanto experiência pedagógica, o ato político não pode reduzir-se a um processo utilitário, interesseiro, imediatista. É preferível, às vezes, perder uma eleição, mas continuar fiel a princípios fundamentais e coerentes com os sonhos proclamados".
ExcluirExcelente! E o Mouro?! É o xerife?!!
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