sexta-feira, 21 de junho de 2019

Mais Médicos: A Class Action contra a OPAS

Mais um post da série sobre o programa "Mais Médicos".

A revista Crusoé desde 2018 bem trazendo reportagens (veja aqui) sobre uma class action movida nos EUA por médicos cubanos contra a OPAS (PAHO em inglês). A reportagem não apresenta os documentos da ação. Mas eu verifiquei que existe de fato uma class action contra a OPAS nos EUA. Há uma acusação de que a OPAS atuaria mais de acordo com os interesses cubanos do que o interesse dos médicos.

Uma das matérias cita como fonte uma reportagem do jornal Miami Herald. Em outra é entrevistada uma das médicas cubanas, de nome Ramona Rodriguez. 

A seguir trecho da reportagem da Miami Herald sobre o controle dos médicos por membros da OPAS e por assessores cubanos. O trecho é um depoimento da médica cubana Ramona Matos:
“We Cubans were controlled by a PAHO advisor, we were not allowed to leave the place, we could not visit Brasilia. All the others [doctors of other nationalities working under the program] could travel but they did not let us visit anything, “ she said. On one occasion, she tried to go out to buy bread and cigarettes after 6 p.m. but Cuban handlers did not allow it because it was passed curfew." 

A revista Crusoé entrevistou também a médica Ramona, que na reportagem é chamada da Ramona Rodriguez. Ela afirmou que os médicos recebiam um curso de um a dois meses sobre como influir na política local. No caso do Brasil os médicos teriam sido orientados a fazerem campanha para os partidos favoráveis ao Mais Médicos.

A reportagem diz ainda que 1.500 médicos cubanos deixaram o Brasil pelos EUA, informação que não encontrei em outros órgãos da imprensa.

Outra reportagem menciona uma outra médica cubana que a Crusoé afirma não saber, até aquele momento, em qual prefeitura ela teria trabalhado no Brasil. Mas eu encontrei um documento da prefeitura de Limeira que cita uma médica com esse nome. Não encontrei referências a essas histórias em órgãos da mídia tradicional.

A presença de assessores para controlar os médicos cubanos também aparece em uma reportagem da Bandeirantes de alguns anos atrás que mostrou gravações em que membros da OPAS discutiam com membros do Ministério da Saúde como ocultar do Congresso Nacional informações sobre o programa que poderiam atrapalhar sua aprovação. Entre elas a presença de assessores para controlar os médicos. Para ocultar essa informação, os assessores seriam apresentados como médicos.

A reportagem da Miami Herald e da Crusoé são coerentes também com telegramas que vieram a público recentemente sobre os bastidores da negociação entre o governo brasileiro e o cubano.

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